Não sei por onde começar. Nunca sei. Só tenho uma certeza
que será eterna… há sempre mais para dizer.
Ando há alguns dias a pensar em escrever o que sinto. Talvez
para me convencer de que ainda tenho sangue nas veias, que o coração ainda
bate, que ainda sinto. Ando basicamente a enganar-me.
Não sinto nada. Congelei e escondi o botão de
descongelamento ou foi-me roubado?
É muito mais fácil culpar algo, alguém. Mas será culpa de
alguém tu não sentires? Será que Deus te esqueceu e te condenou ao
esquecimento, à pequenez, ao isolamento da alma? Será que a minha alma decidiu
ir fazer a viagem a Itália que sempre quis?
Também deixei de questionar, de querer resposta –
resignação.
Não me consigo lembrar se algum dia fui diferente ou se só o
ambicionei ser.
Enquanto esfumaçava outro cigarro (fiz disso uma hábito
quase tão constante como respirar) constatei que não sei o que o amor, o que é
amar. Os outros sabem? É suposto saber ou os filmes e livros que leio são o
rascunho de uma não realidade?
Hoje leram-me uma frase que vou adoptar, “se não vens para
me dar paz, deixam-me em paz”.
Sem comentários:
Enviar um comentário